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Estilo & tendência
Sopro de criação
Há muitos séculos os vidros de Murano encantam o mundo. Mas essa arte fascinante, que por tempos buscou-se em vão manter ilhada e exclusiva, conquistou profissionais que a executam também no Brasil com extrema habilidade

Texto: Laura Rocha Fotos: Divulgação

Em 1962, quando Bonora afastou-se do trabalho, os irmãos, então com 17 e 14 anos de idade, fundaram sua própria empresa de vidros, a Antonio Molinari e Filhos, que com o aumento progressivo da produção e crescimento dos negócios mudou-se para uma instalação maior e assumiu a razão social de Cristais São Marcos, como é até hoje conhecida. A exemplo dos italianos, os brasileiros Molinari também transferem o conhecimento e a habilidade na arte vidreira de geração para geração – hoje, filhos, sobrinhos e até netos já estão envolvidos e seduzidos pela magia do vidro. “O meu objetivo pessoal é conseguir transmitir aos meus filhos, sobrinhos e genros, a continuidade de nossos negócios com a mesma seriedade e com o mesmo sucesso que conseguimos atingir”, afirma Antonio Carlos Molinari. “As perspectivas para nossa empresa é que consigamos consolidar o nome e a qualidade dos produtos da Cristais São Marcos no mercado externo com a mesma força que hoje temos no mercado nacional”.

André Leonel

Técnica preservada

Mesmo as mais antigas peças produzidas em Murano apresentam-se atuais, uma façanha que se deve à sensibilidade dos mestres em acompanhar a evolução dos estilos de decoração. Ao entardecer, prepara-se a fornace (o forno) para operar no dia seguinte, colocando-se nela os elementos químicos que formam o vidro, que passarão a noite fundindo-se a uma temperatura entre 1.400 e 1.500°C, para que os mestres tenham uma pasta líquida para modelar pela manhã. Durante o dia, a temperatura da fornace baixa 1.150°C, para que a massa seja mantida adequada para a modelagem. O carvão e a lenha foram substituídos por gás metano.

A produção de vidros e cristais numa fornace utiliza, principalmente, a técnica do soffiato, ou trabalho a sopro, empregada na execução de garrafas, lustres, taças, pratos e vasos, por exemplo, e a técnica manual das esculturas e demais objetos sólidos em seu interior.

Da adição de óxidos metálicos à massa de sílica, carbonato de sódio, carbonato de cálcio, nitrato e arsênico obtém-se as variações de cores dos vidros: cobalto para azul, cromo para verde, cádmio para amarelo, selênio para vermelho e manganês para o lilás. Uma das mais típicas e nobres cores utilizadas no trabalho de Murano, o rubino, é obtida com a adição do selênio e micros de ouro à massa vítrea.

Finda a modelagem, as peças são levadas para um forno de resfriamento, com temperatura em torno de 400°C, onde permanecem de 12 a 24 horas até se obter a queda gradual da temperatura. A etapa seguinte à retirada das peças desse forno é a de catalogação para venda.


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