
Técnica preservada
Mesmo as mais antigas peças produzidas em Murano apresentam-se atuais, uma façanha que se deve à sensibilidade dos mestres em acompanhar a evolução dos estilos de decoração. Ao entardecer, prepara-se a fornace (o forno) para operar no dia seguinte, colocando-se nela os elementos químicos que formam o vidro, que passarão a noite fundindo-se a uma temperatura entre 1.400 e 1.500°C, para que os mestres tenham uma pasta líquida para modelar pela manhã. Durante o dia, a temperatura da fornace baixa 1.150°C, para que a massa seja mantida adequada para a modelagem. O carvão e a lenha foram substituídos por gás metano.
A produção de vidros e cristais numa fornace utiliza, principalmente, a técnica do soffiato, ou trabalho a sopro, empregada na execução de garrafas, lustres, taças, pratos e vasos, por exemplo, e a técnica manual das esculturas e demais objetos sólidos em seu interior.
Da adição de óxidos metálicos à massa de sílica, carbonato de sódio, carbonato de cálcio, nitrato e arsênico obtém-se as variações de cores dos vidros: cobalto para azul, cromo para verde, cádmio para amarelo, selênio para vermelho e manganês para o lilás. Uma das mais típicas e nobres cores utilizadas no trabalho de Murano, o rubino, é obtida com a adição do selênio e micros de ouro à massa vítrea.
Finda a modelagem, as peças são levadas para um forno de resfriamento, com temperatura em torno de 400°C, onde permanecem de 12 a 24 horas até se obter a queda gradual da temperatura. A etapa seguinte à retirada das peças desse forno é a de catalogação para venda. |