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Estilo & tendência
Sopro de criação
Há muitos séculos os vidros de Murano encantam o mundo. Mas essa arte fascinante, que por tempos buscou-se em vão manter ilhada e exclusiva, conquistou profissionais que a executam também no Brasil com extrema habilidade

Texto: Laura Rocha Fotos: Divulgação

Formação in loco

O processo inverso – aprender a técnica de soprar vidro (soffiato) em Murano, com mestres como Giuliano Tosi, Valentino Dolcemascolo, Gianpaolo Seguso e Lino Tagliapietra, entre outros – foi a opção da artista plástica Elvira Schuartz, autora do livro “Através do Vidro – objetos e poemas”, no qual cada página é uma verdadeira declaração de amor pela arte vidreira. “A técnica do sopro permite moldar realmente o vidro, já que se trabalha com o material no estado de um líquido viscoso, semelhante a um mel”, explica Elvira. “Como dizia meu mestre muranese Gianpaolo Seguso, ‘moldar vidro é brincar com a arte da luz’”.

O maior desafio para quem quer aprender a soprar vidros, segundo a artista, é equilibrar o vidro na ponta da cana, como se equilibra um mel na ponta de um bastão. A técnica mais popular e mais simples para fazer vidros é a de fusing, (que significa fusão, em português, embora o nome seja pouco usado), na qual se moldam lâminas de vidro que podem ser pintadas em fornos de baixa temperatura.

Hoje, além das peças maravilhosas que cria, Elvira Schuartz ensina a técnica de sopro e moldagem em seu Espaço Zero – Centro de Arte em Vidro, em São Paulo.

FOtOS: rODrIGO BrIetO
Elvira Schuartz, que aprendeu o ofício em Murano e declara-se uma apaixonada pelo vidro, traduz seu amor em peças e versos: “O vidro é feito de ar, ar que sai do peito, peito onde mora o coração, coração que é o território da alma, alma que é o sopro do homem, do homem que sopra o vidro.” Nas fotos, peças de algumas de suas coleções temáticas: 1- Camaleão, trio de vasos da coleção Metamorfose; 2 - Zebra Bowl e Zebra Vaso, de vidro leitoso preto e branco da coleção Kalahari, inspirada no deserto africano de mesmo nome; 3 - a escultura Ninho, de Suricato, da coleção Kalahari é de cristal soprado; 4 - Dunas Centro, Dunas Lamparina e Dunas Vaso, cristal soprado e vidro âmbar, da coleção Kalahari.

Expressão independente

Lu Barros iniciou sua trajetória com o vidro em 1987, como designer em uma fábrica de vitrais, onde os vidreiros produziam as peças com a técnica de sopro. Também designer de jóias, mas encantada com a alquimia do vidro e fascinada com o brilho do fogo que faz nascer uma matéria tão cristalina, retomou a criação vidreira por suas próprias mãos.

“O que mais me atrai na criação de peças de vidro nesse estilo é a sobreposição de camadas, que criam efeitos gráficos fantásticos com a combinação de cores e transparência, podendo assim ser explorada com muita criatividade e acima de tudo com muita paixão por todo o processo.”

Para Lu Barros é preciso respeitar a matéria, que parece ter vida própria. “Por mais que tentemos controlar seu caminho, ela se expressa da forma que tem de se expressar e as coisas simplesmente acontecem”, afirma. “Mas isso para mim é uma qualidade e não uma dificuldade. Tento aproveitar esta ‘vida’ da melhor maneira possível, e cada trabalho sempre é um aprendizado. Nunca vamos dominar essa matéria por completo e isso é muito estimulante e desafiador”.

fotos: Márcio Bruno

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