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A leitura engrandece a alma
A frase de Voltaire explicita bem uma necessidade cada vez mais latente das pessoas terem um espaço em suas casas destinado exclusivamente para relaxar e se deixar envolver por uma boa leitura

TEXTO: MARIA CLÁUDIA ARAVECCHIA KLEIN

Estar na companhia de bons livros requer, acima de tudo, conforto. Peças indispensáveis na decoração dos espaços de leitura, as poltronas e as luminárias são essenciais e ganharam, graças ao estudo de renomados designers durante a evolução do mobiliário, formas arrojadas e funcionais.

Famosas e muito cobiçadas, as poltronas, estrelas não só das salas e dos cantos de leitura, mas de outros ambientes da casa, nunca saem de moda e já fazem parte dos nossos cenários há séculos.

Exemplo disso é a cinquentona e imponente Charles & Eames. Criada no início do século XX pelo casal Charles e Ray Eames para a alta classe, é até hoje sinônimo de pura sofisticação. "Ela é atual pelo design e pelo conforto", conta a arquiteta Silvana Andrade. Outra poltrona muito presente nas decorações é a Egg, que, com seu desenho diferenciado, lembra um abraço aconchegante.

Para os cantinhos de leitura, ser confortável é requisito fundamental, porém só isto não basta. O prazer da leitura pede horas em uma mesma posição, o que, muitas vezes, pode exigir muito do corpo. Especialistas em ergonomia alertam para a necessidade de estudar alguns quesitos na escolha da poltrona ideal. Segundo a especialista Beatriz Chimenthi, a poltrona deverá ser preferencialmente estofada e de tecido, com um encosto para a região lombar. "Como se trata de uma poltrona de leitura, o ideal é que tenha ainda um apoio para os pés e, pois o desconforto poderá gerar lesões músculo-esqueléticas", afirma a especialista.

"O ideal é ler sentado em uma poltrona que tenha apoio para a cabeça", diz a arquiteta Fernanda Quelhas. "Todos os pontos de apoio do corpo devem estar apoiados para a leitura fluir", completa. Há quem prefira os estilos mais clássicos, com tecidos como o chenile ou o veludo, ou ainda o couro natural que "tanto na textura quanto o cheiro nos remete à poltrona do vovô", diz a arquiteta Ana Rita Sousa e Silva. Tudo depende do que mais agrada ao toque do cliente.

O espaço para a leitura deve ser "tranquilo, sem trânsito de pessoas, ter iluminação adequada - natural e artificial - mas sempre em quantidade", explica a arquiteta. "Uma poltrona confortável faz toda diferença", diz a arquiteta Graziella Nicolai. Mas, o cantinho de leitura não fica completo sem uma bela e funcional luminária. Mesmo que o espaço tenha uma iluminação natural boa, é importante um foco de luz direta que pode ser resolvido por uma luminária de chão, por exemplo, ou até um projeto luminotécnico específico. "Deve-se optar por lâmpadas que não emitam calor em excesso, mas tenham um bom fluxo de luminosidade", explica Silvana Andrade. Outra dica é optar por lâmpadas alógenas, que têm uma luz branca e brilhante, realçando as cores e os objetos.

Fotos: Eduardo Pozella

O living do apartamento foi criado pelos arquitetos Antonio Ferreira Júnior e Mário Celso Bernardes para a edição deste ano da Casa Cor São Paulo. Carregado de elementos clássicos, o ambiente tem um piso de taco de madeira reaproveitada, assentado em espinha de peixe. As paredes verdes pinus (Suvinil) destacam as molduras no tom bege claro. Numa das extremidades do ambiente, a poltrona de leitura é modelo Voltaire, uma criação de Sérgio Rodrigues reeditada pela Dpot. Ao lado, completando a ambientação, um buffet art déco (Ivy) com portas de pergaminho da década de 40. Os muranos e os quadros com obras de Burle Marx, homenageado no evento, estão por toda parte.

Clausem Bonifácio

Este aconchegante espaço é integrado à varanda, o que proporciona boa ventilação natural e boa iluminação indireta. Fica em um apartamento assinado pela arquiteta Silvana Andrade em Brasília, onde vive um casal de meia idade, sem filhos. Criado a pedido do casal, este ambiente de passagem tornou-se um espaço exclusivo para o prazer da leitura. A poltrona (Hill House) escolhida por Silvana foi a Charles Eames, que faz conjunto com a banqueta de mesmo nome revestida em couro branco. O projeto luminotécnico (Iluminatta) priorizou as lâmpadas com reprodução de cor adequada para telas e objetos de arte e a luminária de pé (Bertolucci) completa a iluminação direta para oferecer conforto ao leitor. Como apoio lateral, a arquiteta usa o banco Sônia, de Sérgio Rodrigues (Hill House), fundamental no conjunto levando em conta sempre as alturas entre as peças. Diante da poltrona, um aparador-bar (Quadra Interior) oferece ainda a opção de se beber algo enquanto se relaxa. Para suavizar a sobriedade, nada melhor que o vermelho sangue da tela da artista plástica Giovana Osmarine. O revestimento do piso é porcelanato polido e as paredes receberam pintura acrílica acetinada off white. A cortina é linho rústico (Tecidos Donatelli).

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