Há muito convivemos com as práticas da reciclagem e da reutilização sem termos consciência disso. Basta lembrar que desde os tempos da bisa - ou mais! - alimentos desprezados são utilizadas no preparo de outros pratos saborosos e as roupas que deixaram de servir são passadas de herança para o filho menor ou reformadas para dar origem a outros acessórios, entre muitas outras situações de reaproveitamento. Mas o que em outras épocas podia ser visto negativamente hoje é uma questão de sobrevivência... do planeta. E o segmento de arquitetura e decoração está inserido, cada vez mais conscientemente, nessa necessidade.
As próprias mostras de decoração espalhadas por todo o País têm proposto aos profissionais o desafio de apresentar novas tendências do ramo de maneira sustentável, como uma forma de provar aos visitantes que ambientes sustentáveis não são sinônimos de lugares rústicos e primitivos. "O mundo inteiro está voltado para a discussão da sustentabilidade", afirma a arquiteta Karina Afonso, para quem esta é uma questão mais que social e muito maior que um modismo. "Estamos inseridos nesse contexto e temos por obrigação, como arquitetos, de pensar que mundo queremos projetar para as futuras gerações. É importante buscar soluções que conjuguem a economia dos recursos naturais, como luz e água, e o conforto.
 |

O home theater criado pela arquiteta Sandra Picciotto para o CAD 2008 revela como um ambiente pode ser aconchegante, funcional e inovador, ao mesmo tempo em que sua em concepção há a preocupação com a natureza. "Desde as peças produzidas com madeira certificada ou de reflorestamento, luminárias de alumínio (Puntoluce) 100% reciclável, até os produtos menos conhecidos, foi explorada a qualidade estética sem perder de vista a responsabilidade ambiental", explica a arquiteta. Um fator inovador foi o emprego do X-Board - WidePrint Eco (Art Fix, execução Serilon), chapas de material Kraft 100% reciclado, no painel do estar. O sofá tem estrutura de eucalipto reflorestado e foi revestido com lona Eco (Locomotiva, confecção Álvaro Estofados), um tecido confeccionado com 96% de fios reciclados e 4% de fio de garrafa Pet. |
As novas propostas devem ter como base o equilíbrio entre iluminação natural e artifi cial e a correta aplicação do material utilizado na construção para que ele promova a economia, combinando criatividade, conhecimento científi co, inovação técnica, compromisso social e respeito ao meio ambiente."
Para as arquitetas Silvia Martins da Costa e Taïs Donato, a reciclagem é sem dúvida uma forte tendência na decoração. "Móveis podem ser reaproveitados com nova pintura ou troca de tecidos", sugerem. "Além disso, muitos adornos estão sendo feitos de material reciclado, alguns tecidos e até pisos têm como componentes garrafas PET e fraldas descartáveis." Sandra Picciotto, também arquiteta, compartilha da mesma opinião. "A reciclagem e a reutilização são tendências cada vez mais fortes e presentes em todos os setores, não só na decoração. Mas a decoração pode e deve colaborar com a utilização de materiais que gerem menos impacto ao meio ambiente."
 |
Um Projeto personalizado, unindo tecnologia e conforto em um espaço aconchegante para viver e receber os amigos foi a solicitação do jovem casal para a arquiteta Karina Afonso, que norteou seu trabalho pelos princípios da sustentabilidade. "Preferi produtos de madeira certifi cada, utilizando o máximo possível dos recursos naturais em iluminação, ventilação e vegetação e outros cuidados básicos, visando alterar o mínimo possível o meio ambiente em que a estrutura se insere", relata. "Acredito que a prevenção ainda seja a melhor solução!"
O piso do living foi revestido com pastilha de fi bra de coco polida (Coconut Art), material feito a partir do descarte do coco. A mesa de jantar contrasta com o piso e encaixa-se perfeitamente entre duas cristaleiras de freijó ebanizado e com nichos iluminados, criação da arquiteta. nas cabeceiras, cadeiras de fi bra natural (Casual Móveis). Um lustre de ferro fundido (Hr iluminação) pende sobre a mesa e, complementando a decoração, um cocar da coleção pessoal da arquiteta foi emoldurado e colocado sobre a mesa de jantar, na parede iluminada pelos rasgos laterais. |
 |
| 1. Os copos descartáveis de plástico ganharam uma nova função, deixando a luminária Copóleos (60 cm de diâmetro), do SuperLimão Studio, com aparência moderna. Preço: R$ 530. 2. O banco Kraft (50x120x45 cm), produzido com o mesmo papel que lhe dá nome, é assinado pelo designer Domingos Tótora. Na Dpot, a partir de: R$ 5.150. 3. Fundos de garrafas com esmaltes minerais artesanais queimados a 850ºC dão origem ao centro de mesa (45 cm de diâmetro) assinado por Paulo Vergueiro. |
PÁGINAS :: 1 | 2 | 3 | 4 | Próxima >>